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CodexMundi Um atlas acadêmico dos sentidos perdidos ao cruzar fronteiras

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A mão sobre o coração (saudação árabe)

Mão direita pousada sobre o peito, após um aperto de mão ou como saudação: marca de respeito sincero e de calor no mundo árabe. Serve também como saudação não física quando o contacto é evitado, sobretudo entre pessoas de sexo oposto não mahram.

Completo✓ VerificadoCuriosidade

Categoria : cat_kinesiqueSubcategoria : emblemes-salutationNível de confiança : 3/5 (hipótese documentada)Identificador : e0059

Significado

Direção do alvo : Respeito, sinceridade, calor e boa vontade. A mão direita, pousada plana sobre o peito (por vezes com uma ligeira inclinação da cabeça), exprime que a saudação vem do coração. Gesto positivo e frequente, independente do sexo do interlocutor no uso corrente; torna-se um cortês substituto do aperto de mão quando o contacto físico é evitado por razões de pudor religioso.

Significado interpretado : Para um observador ocidental o gesto pode parecer excessivamente cerimonioso, ou ser lido erradamente como um juramento teatral. O mal-entendido mais delicado surge quando uma mulher muçulmana recusa um aperto de mão e leva a mão ao coração: um interlocutor não avisado pode ler essa evitação do contacto como frieza ou rejeição, quando é, pelo contrário, uma marca de respeito destinada a não ofender.

Geografia do mal-entendido

Neutro

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1. O gesto e o seu significado esperado

A mao direita pousada plana sobre o peito, a altura do coracao, acompanha ou substitui uma saudacao em grande parte do mundo arabe e para alem dele. O gesto faz-se muitas vezes logo apos um aperto de mao, a mao que deixa a do outro para voltar ao proprio coracao, por vezes com uma ligeira inclinacao da cabeca. Significa que a saudacao e sincera e vem do coracao. A sua carga e calorosa e respeitosa, sem solenidade particular: usa-se para cumprimentar, agradecer, despedir-se ou mostrar consideracao.

Devem distinguir-se dois usos principais. O primeiro e o gesto de respeito que segue um aperto de mao entre pessoas para quem o contacto e admitido: reforca a sinceridade. O segundo e o gesto-substituto, pousado sobre o coracao em vez da mao estendida, quando o contacto fisico nao e desejado, em particular entre um homem e uma mulher nao mahram num contexto em que prevalece o pudor religioso. Neste segundo caso o gesto nao e uma recusa mas uma saudacao completa, que transmite a mesma boa vontade que um aperto de mao.

2. Rececao e geografia do mal-entendido

O gesto e positivo e nao comporta qualquer duplo sentido ofensivo. O risco intercultural nao reside num sentido oculto mas numa leitura enviesada pelos codigos do observador. Um ocidental pode acha-lo cerimonioso, ou ver nele erradamente um juramento teatral, porque a mao sobre o coracao evoca, no seu repertorio, a prestacao de juramento ou o hino nacional.

O mal-entendido mais delicado diz respeito ao gesto-substituto. Quando uma mulher muculmana recusa um aperto de mao e leva a mao ao coracao, um interlocutor que ignora a convencao pode ler a evitacao do contacto como frieza, distancia, ate uma afronta. E o contrario: o gesto e escolhido precisamente para cumprimentar com calor sem impor um contacto que o pudor religioso afasta. A mesma logica vale quando e um homem que se abstem de estender a mao a uma mulher. Compreender o gesto evita que uma marca de respeito se transforme num incidente.

3. Genese historica

O gesto da mao sobre o coracao como saudacao esta documentado ha muito nos repertorios gestuais do espaco mediterranico e do Proximo Oriente. A obra de referencia de Morris e dos seus coautores, Gestures: Their Origins and Distribution (1979), regista variantes da saudacao respeitosa e da mao levada ao peito entre os emblemas da bacia mediterranica, sem o tratar como um gesto de carga negativa.

No mundo arabo-muculmano o uso articula-se com o salam, a saudacao de paz (as-salamu alaykum), de que a mao sobre o coracao e o acompanhamento gestual natural: a palavra de paz e o gesto que a sela. A funcao de substituto do contacto, por seu lado, liga-se as normas de pudor (recato do olhar e do contacto entre pessoas nao mahram) proprias dos contextos religiosos. Por fim, este gesto nao deve confundir-se com o adab da Asia meridional, a saudacao das comunidades de lingua urdu em que a mao direita e levada a testa: o mesmo registo de respeito, mas morfologia e area cultural distintas.

4. Variantes e contextos contemporaneos

O gesto permanece vivo e amplamente usado, das saudacoes quotidianas as trocas oficiais. Lideres e diplomatas do mundo arabe usam-no regularmente para completar ou substituir o aperto de mao perante as cameras, o que contribui para o dar a conhecer fora da sua area de origem. A sua visibilidade aumentou a medida que os codigos de saudacao sem contacto foram discutidos a escala mundial, sobretudo em periodos em que o contacto fisico era evitado por razoes sanitarias.

Nos meios multiculturais e profissionais o gesto serve cada vez mais como saudacao por defeito prudente: permite cumprimentar respeitosamente uma pessoa sem presumir a sua disposicao ao contacto. Esta flexibilidade explica a sua difusao para alem do mundo arabe, onde e de bom grado adotado como alternativa cortes e neutra ao aperto de mao.

5. Recomendacoes praticas

Se um interlocutor pousa a mao sobre o coracao, o melhor e retribuir o gesto: mao direita sobre o proprio peito, ligeiro aceno de cabeca. Quando uma pessoa de sexo oposto leva a mao ao coracao em vez de estender a sua, e preciso compreender que se trata de uma saudacao completa e respeitosa, e responder do mesmo modo em vez de insistir no contacto.

As precaucoes sao simples. Nao forcar um aperto de mao quando o gesto-substituto e oferecido. Nao ler o gesto como frieza ou juramento. Nao o confundir com o adab sul-asiatico. Em caso de duvida sobre a disposicao do outro ao contacto, abrir nos proprios com a mao sobre o coracao e a solucao mais segura: cumprimenta-se com calor sem arriscar embaracar.

Origens históricas

Mão direita sobre o coração como saudação respeitosa, atestada há muito nos repertórios gestuais mediterrânicos e do Próximo Oriente (Morris et al. 1979). Ligada ao salam (as-salamu alaykum) no mundo arabo-muçulmano; cortês substituto do contacto entre não mahram. Distinta do adab sul-asiático.

Recomendações práticas

Para fazer

  • Rendre le geste si on le reçoit : poser sa propre main droite sur le cœur avec un léger hochement de tête. Lorsqu'une personne de sexe opposé porte la main au cœur au lieu de tendre la sienne, comprendre qu'il s'agit d'une salutation respectueuse et y répondre de la même façon.

O que evitar

  • Ne pas insister pour une poignée de main si l'interlocuteur porte la main au cœur : le contact n'est pas refusé par hostilité. Ne pas confondre ce geste avec le adab sud-asiatique (main droite portée vers le front), qui est une salutation distincte. Ne pas l'interpréter comme un serment ou une promesse solennelle.

Alternativas neutras

Uma saudação verbal (as-salamu alaykum), uma ligeira inclinação da cabeça, ou um aperto de mão clássico entre pessoas do mesmo sexo quando o contacto é aceite.

Fontes

  1. Morris, D., Collett, P., Marsh, P. and O'Shaughnessy, M. (1979). Gestures: Their Origins and Distribution. Stein and Day.
  2. Axtell, R. E. (1998). Gestures: The Do's and Taboos of Body Language Around the World. John Wiley and Sons.
  3. Armstrong, T. and Wagner, S. (2003). Field Guide to Gestures. Quirk Books.
  4. Wikipedia contributors. Adab (gesture). Wikipedia, The Free Encyclopedia. —
  5. Kendon, A. (2004). Gesture: Visible Action as Utterance. Cambridge University Press.